Análise: R-Type Final 2

O nome R-Type é um dos mais antigos da história dos games. O primeiro jogo foi lançado em 1987 e é celebrado como um dos grandes nomes dos shoot’em’ups, os shumps. Ou ainda os clássicos “jogos de navinha”, daqueles com um bom nível de dificuldade e tiros pra todo lado. Desde então inúmeros títulos da série foram lançados. Dezessete anos após o primeiro R-Type Final, original de PS2, temos R-Type Final 2, desenvolvido pela Granzella através de uma campanha no Kickstarter, e disponível para PS4, Xbox One, Switch e PC.

Começando direto ao ponto, vamos encontrar aqui exatamente o que se espera de um jogo do estilo R-Type. Um desafio elevado com os inúmeros elementos na tela, diferentes power-ups para a evolução dos tiros e fases intensas. Final 2 não traz nenhuma inovação para a fórmula mas isso está longe de ser um problema. O game trabalha bem todos os conceitos clássicos da série e entrega uma experiência bastante sólida e consistente. Pra mim, que sou um novato no gênero, depois de pegar o jeito o jogo só melhorou.

E falo de “pegar o jeito” porque dificuldade é um dos pilares desse estilo. Mas isso não é um ponto negativo para iniciantes. Embora a dificuldade padrão possa ser vencida com um pouco de insistência para quem começa agora (sim, você vai morrer bastante. Eu morri bastante), é possível descer o nível de desafio, o que é bom para se adaptar com as fases e entender o funcionamento das diferentes naves (que não são poucas), para depois voltar mais preparado. Por outro lado, quem busca algo mais extremo também terá um prato bem servido com os níveis mais desafiadores (alguns secretos) e os leaderboards online.

Falando das naves, o destaque fica por conta da quantidade absurda de modelos, e toda a parte de customização. É possível editar a pintura, stickers, roupa e pose do piloto. As naves também possuem diferentes tipos de tiros primários e secundários. Claro que com um número tão grande, é comum achar algumas bem parecidas. Ainda assim, parte da diversão vem de liberar todos os desbloqueáveis. E acredite, é muita coisa que está disponível. Dá para perder uma boa sessão de jogo só editando os visuais. Quanto à campanha, ela possui sete estágios, sendo que os dois últimos possuem três versões diferentes, dependendo da rota escolhida no capítulo 5.

Na parte técnica, R-Type Final 2 entrega um visual bem feito. Admito que as primeiras fases não me impressionaram muito, mas lá pela terceira e quarta, o jogo foi ganhando mais pontos. Os efeitos de luz e explosões são bem executados. A trilha sonora também merece os parabéns, um eletrônico que casa muito bem com o gameplay.

Final 2 também se sai bem nos controles, que precisam ser bastante precisos nesse tipo de jogo. Além dos tiros normais a nave conta com o Dose, um drone que tem duas funções: quando acoplado à nave, permite um disparo mais forte, muitas vezes com efeito especial. Mas quando solto, se torna uma segunda fonte de dano, como se fosse uma nave auxiliar – e a forma de ataque varia dependendo da nave. Algo que eu achei bacana é que é possível aumentar ou diminuir a velocidade da sua nave (no PS4 através do L1 e L2), o que é legal para sair de momentos críticos, mas sem precisar manter uma nave doida no café o tempo inteiro.

Em resumo, R-Type Final 2 resgata todas as qualidades esperadas para um shump, o atualizando para as plataformas atuais com bons gráficos e músicas, além de uma quantidade absurda de colecionáveis, o que dá a ele uma longa vida, mesmo para quem não quiser correr atrás dos placares mais altos. O desafio, mesmo na dificuldade padrão é alto e exige atenção do jogador para entender os padrões dos inimigos. Mas definitivamente é um jogo que traz tudo que promete e deve agradar especialmente os fãs do estilo.

Análise produzida com cópia digital de PS4 cedida pela NIS America



Bruce

Jornalista, Game Designer e perito na arte das piadas de qualidade questionável. Adora sofrer em soulslike, perder horas em jRPGs e passar a vida no Final Fantasy XIV

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