Rainbow 6: Siege – Construindo personalidade

O sucesso de Rainbow Six: Siege é uma prova de como um bom trabalho de longo prazo pode render bons frutos e uma base sólida para a construção de um cenário bastante interessante. Lançado em dezembro de 2015 o game não foi um sucesso imediato, mas foi ganhando espaço aos poucos até se tornar o gigante que é hoje. E assistindo a final do R6 Invitational no último domingo a impressão é que ainda há muito potencial para ser explorado.

O torneio foi vencido pelos americanos da Spacestation Gaming em uma virada emocionante contra os brasileiros da Ninjas in Pyjamas. Foi a primeira vez que um time nacional chegou na decisão dessa competição. Mas os pontos que quero falar são outros, até porque não acompanho de perto o cenário e a chance de falar groselha é grande.

Durante a competição a Ubisoft soltou uma animação que celebra o R6 Invitational no mapa especial criado para o evento.

Tecnicamente ela é muito bem feita mas, mais importante que isso, é de se admirar o trabalho da Ubi em dar personalidade aos operadores. Eles deixam de ser meros avatares e se tornam personagens com nuances bem interessantes. Claro que não se compara a um RPG de 60 horas, mas há alguma coisa ali que desperta uma ponta de curiosidade.

Os personagens do jogo base (e os da primeira temporada, se não me engano) contam com históricos detalhados dentro do jogo, falando de seu passado e o que os levou a se tornarem agentes de elite. Infelizmente isso não teve continuidade dessa forma, mas eu fico muito feliz que foi mudada apenas a abordagem de como retratar esses personagens.  Outras animações lançadas anteriormente reforçam essa filosofia, tanto as que divulgam personagens e torneios como as de modos especiais, como foi o Outbreak, evento cooperativo de tempo limitado.

 

Na minha visão isso ajuda muito a se identificar com o jogo e os personagens, uma coisa que Overwatch faz muito bem em certos aspectos. Mostrar interações entre os personagens, como se comportam em situações de ação torna mais fácil o processo do jogador de criar laços com o game. Isso tudo aliado as mecânicas de jogo, que funcionam muito bem, são uma receita simples e certeira de como construir um jogo sólido e relevante. Uma fala de impacto ou mesmo uma ação que remeta a mecânicas do jogo podem ser suficientes para maravilhar um jogador.

Rainbow Six é baseado em uma das obras do escritor Tom Clancy e sempre se valeu de sua narrativa. Salvo engano deste que vos escreve, Siege foi o primeiro jogo grande da franquia sem um modo história, possuindo somente um pano de fundo para justificar os personagens. E admito que sempre senti falta de um modo single player — competitivo nunca foi minha praia.

Talvez para suprir essa lacuna, está em desenvolvimento Rainbow Six Quarentine, um game que deve ser baseado no DLC Outbreak, focado em uma campanha cooperativa fechada. Embora pouco se saiba do jogo por enquanto, é sabido que ele se passará no mesmo universo de Siege, incluindo a participação dos operadores. Ficaria mais feliz se fosse uma expansão para Siege mas entendo que para a empresa seja mais interessante dividir em dois produtos diferentes.

Vamos aguardar os próximos passos da série que além de estar em um bom momento no cenário competitivo, também da sinais muito positivo para evoluir para outras rotas.



Bruce

Jornalista, Game Designer e perito na arte das piadas de qualidade questionável. Adora sofrer em soulslike, perder horas em jRPGs e passar a vida no Final Fantasy XIV

Deixe uma resposta