Análise: SILT

No começo desse mês de junho chegou Silt, primeiro projeto do estúdio inglês Spiral Circus, que é composto por somente duas pessoas, o artista Tom Mead e o biólogo Dom Clarke. E ter um biólogo na equipe é algo perceptível nesse título que traz uma série de puzzles pelas profundezas do oceano. O game está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X, Switch e PC (Steam, Epic Games e GOG).

Silt traz um visual bem minimalista, com um estilo que vai lembrar Limbo e Inside, especialmente por sua paleta de cores. Como um mergulhador jogado em algum canto do fundo oceano, passamos por um mundo repleto de criaturas monstruosas e entidades sobre-humanas. Não há cenas com diálogos, apenas uma breve introdução do seu objetivo no começo do game. O storytelling se dá na observação dos cenários e nos acontecimentos da aventura.

Sobre o gameplay, a mecânica principal é a possessão. Podemos transferir nossa alma para outras criaturas marinhas, como peixes, enguias, caranguejos e usar suas habilidades para avançar pelos mapas. É nesse conceito que residem os desafios do jogo, em descobrir como progredir usado essas criaturas para abrir caminho. Vale notar que o jogo não vai te dar 30 opções diferentes por mapa, somente as que você realmente precisa para prosseguir. Cabe a você entender como usar as peças de forma correta.

É possível transferir sua alma para outras criaturas, passando de uma para outra direto. Enquanto isso, seu corpo ficará imóvel e vulnerável a qualquer ameaça — que não são tantas assim, na realidade, então esse ponto é bem tranquilo.

Ao longo do game cada capítulo de Silt vai trabalhar algumas mecânicas e usá-las de de diferentes formas. No capítulo seguinte, entram novos conceitos e os antigos ficam para trás. Isso é legal no sentido de que o jogo vai se renovando durante a campanha.

A dificuldade dos puzzles vai progredindo – com alguns picos desnecessários aqui e ali – e demandam atenção do jogador, especialmente na etapa na qual você tem que entender o que está acontecendo. Nisso achei que em alguns momentos o jogo não consegue te comunicar com clareza o que ele quer. Talvez falta de um pouco mais de atenção aos visuais. Mas no geral nada traumatizante.

Silt é uma experiência curta, daqueles jogos que dá para terminar em uma tarde. Ao mesmo tempo, seu ritmo é bem lento e também pode ser aproveitado em parcelas, se for de seu feitio. Se a busca for por algo mais contemplativo com uma jogatina mais devagar, uma olhada em Silt pode valer a pena.



Bruce

Jornalista, Game Designer e perito na arte das piadas de qualidade questionável. Adora sofrer em soulslike, perder horas em jRPGs e passar a vida no Final Fantasy XIV