Análise: Make the Burger

Começo esse texto perguntando para você, amigo leitor: fazer hambúrguer é fácil? Pensando só no básico pão, carne e queijo até pode ser, mas as camadas a mais que podemos adicionar podem deixar tudo mais interessante. Com essa proposta temos Make The Burguer, um jogo casual desenvolvido pelo estúdio brasileiro Creative Hand, o primeiro projeto da empresa que quer focar exatamente em títulos casuais.

Dayan Barros e Ramon Guimarães são os nomes por trás da criação do game. Eles me contaram que essa é a primeira experiência deles produzindo um jogo comercial. Antes disso participaram de algumas JAMs, eventos nos quais os participantes recebem uma proposta de jogo e tem que desenvolver algo com tempo e recursos limitados. “A gente teve experiência participando de 2 JAM’s. O Make The Burger na realidade era um jogo de JAM que demos continuidade” disse Dayan. Ramon complementa: “Foi o Game Jam do 365 indies. Depois com o tempo fomos evoluindo baseado naquela primeira ideia”. Foi assim que Make The Burguer começou a tomar forma, lá por 2018.

Ambos lembraram também que o processo de criação teve seus problemas ao longo dos meses, mas felizmente o produto final conseguiu ser concluído. E, apesar das dificuldades, os planos para o futuro já estão planejados. “Vamos durante o próximo mês fazer pequenos updates de melhoria no Make the Burguer. Mas já queremos começar o próximo game, desse vez com um escopo menor”, me contou Ramon, que também afirmou que, no futuro, pensam em expandir os negócios e publicar jogos de outros desenvolvedores indies.

É hora do lanche!

A ideia de Make the Burguer é bem simples. Como dono de um Food Truck, você deve montar os lanches de acordo com os pedidos dos clientes com os diferentes ingredientes envolvidos. Fazendo tudo certo, o nível de felicidade aumenta. Se atrasar ou entregar o lanche errado, o nível de felicidade diminui. Se você pensou em algo na mesma linha de Cook, Serve, Delicious pensou certo, contudo aqui o escopo é bem menor.

Após cada dia o jogador pode destravar novos ingredientes para aumentar a gama de opções que podem ser pedidas pelos clientes – e itens mais “avançados” geram mais felicidade ao serem usados corretamente. Ao mesmo tempo pode comprar mais mesas para aumentar a quantidade de clientes atendidos. Tudo isso ao custo de “felicidade”. Dessa forma, não dá para sair gastando seus pontos a torto e direito, pois isso pode te deixar muito perto do fim do jogo – se o nível de felicidade chegar a zero, a partida acaba.

No final de cada dia é possível gastar felicidade para comprar novos ingredientes ou aumentar as mesas

Fora isso não há muito mais segredos ou objetivos para alcançar, o que faz de Make The Burger um casual bem simples. Com o passar dos dias o mapa recebe algumas alterações, com as lojas de fundo abrindo e liberando mais opções. Eventualmente o ciclo volta para o básico e o jogo vai rodando entre essas fases. Alguns NPCs especiais podem aparecer querendo um bom hambúrguer se você sobreviver tempo o suficiente, o que conta pontos extras. Vale o destaque para os gráficos em pixel art bem feitos a trilha sonora simples, mas bem executada.

Mas o jogo não está livre de algumas escorregadas: faz falta ter a lista de pedidos na tela da cozinha, o que facilitaria o processo de produção especialmente nos lanches com mais ingredientes. Também senti falta de algum estímulo extra para gastar com mais ingredientes ou mesas, que não seja o colecionismo. Posso seguir com o jogo por um bom tempo somente com uma mesa e poucos ingredientes e o jogo não me senti estimulado a investir em mais itens. Se há uma diferença no ganho de pontos, não ficou muito claro na interface.

No fim, Make the Burguer se atém no que se propõe, que é um jogo bem casual, para jogar passando o tempo sem muitas preocupações. Se você procura algo descompromissado, vale a pena dar uma olhada nessa iniciativa nacional. O jogo está disponível para PC, no Steam.

 

Cópia digital do jogo fornecida pela Creative Hand



Bruce

Jornalista, Game Designer e perito na arte das piadas de qualidade questionável. Adora sofrer em soulslike, perder horas em jRPGs e passar a vida no Final Fantasy XIV